Mitos, lendas e significados da Sexta-feira Santa
Estamos em um período em que a reflexão, segundo os religiosos, é fundamental para o mundo cristão. Antigos percebem que, em contraponto à atualidade, os dias que antecedem a Páscoa tiveram grandes modificações. O sentido e valores antigamente eram outros e as crianças olhavam a data com mais pureza.
Sebastiana de Souza Cardeal (80) iniciou como catequista na época em que ingressava no magistério. Mas na igreja, sua atividade era frequente desde pequena.
O Concílio Vaticano II, da década de 1960, foi um período de grandes reformas na Igreja Católica. Segundo Sebastiana, no passado a linha de pensamento da igreja era rígida, severa e o comportamento das pessoas eram diferentes. Algo marcante ainda hoje para ela é o livro de orientação e orações em latim. “Sou da época em que o padre celebrava a missa de costas para as pessoas e em latim, e quando houve as grandes mudanças, muitas pessoas não aceitavam”, conta ela.
A participação na vida religiosa fez com que Sebastiana conhecesse de perto muitas situações que, para muitos, se tornaram mitos, mas que, para ela, têm seu significado e precisam ser levados a sério e com respeito.
Segundo ela, os mais antigos, como comenta, costumavam crer, por exemplo, que varrer a casa na Sexta-Feira Santa poderia atrair a praga das moscas. Da mesma forma, cultivar a terra no mesmo dia poderia tornar o terreno infértil. Estes são alguns contos vindos dos europeus e não pregados pela igreja católica. Hábito de não trabalhar, não se envolver com algum serviço e de fazer silêncio total ainda existem para algumas pessoas.
A passagem da sexta-feira Santa é carregada de simbolismos e atos não apenas por parte dos fiéis. A própria igreja Católica segue algumas regras. A liturgia oficial pede que se participe da narração, morte e ressurreição às 15 horas e é o momento de grande concentração nas igrejas.
Padre Alvino Intronvini Milani, pároco da igreja de Azambuja, diz que não se pode ter missa na Sexta-feira Santa, apenas existe a distribuição da eucaristia. Segundo ele, a data é um momento de penitência e é o significado do jejum. O religioso diz que todo o período da Quaresma é de reflexão, onde os fiéis voltam a uma prática religiosa que preenche esse tempo com oração e participação nas missas, na busca da confissão e em busca de uma vida mais cultivada espiritualmente.
A Quaresma, segundo padre Milani, é o tempo para as pessoas retomarem as práticas religiosas. Nesse período, muitas que estão doentes recebem a eucaristia e podem fazer a confissão em casa. A ajuda é realizada através dos ministros das eucaristias, que moram no bairro e identificam os idosos e os doentes da comunidade que não podem ir até a igreja.

